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Após fortes chuvas, moradores aprovam resultados das obras no Rio Bacacheri Mirim

Bastava o serviço de meteorologia prever uma chuva forte para que os moradores da rua Rua José Gildo Beleski, no Bacacheri, começassem a levantar móveis e utensílios para locais altos das casas. Durante anos os alagamentos foram frequentes na região castigando as famílias que acumularam prejuízos. A situação mudou após as obras de perfilamento e contenção de taludes no Rio Bacacheri Mirim, realizadas pela Prefeitura a partir do Programa Curitiba Contra Cheias.

As fortes chuvas dos últimos dias serviram como teste para a obra de macrodrenagem executada pela Prefeitura de Curitiba para minimizar os efeitos das cheias na região. Mesmo com um volume muito acima do normal (mais de 80 milímetros de chuva acumulada em menos de 24 horas na última quarta-feira (5/1), metade do previsto para todo o mês), o rio não transbordou.

O volume de água no leito chegou mais que dobrar, no entanto, devido a intervenção realizada, com rebaixamento do fundo do rio, o alargamento da calha e a estrutura de contenção de cheias, não chegou a sair das margens sustentadas por uma nova estrutura.

“A obra de contenção feita aqui é para o resto da vida”, comemora Rudimar Thomazi, empresário do ramo e telecomunicação que há 15 anos reside na via com a família. “Nestes anos de batalha aprendi a reconhecer os tipos das chuvas, essa última foi do tipo tenebrosa, veio de uma vez só, mas não nos prejudicou, graças à obra muito bem realizada”, conta Thomazi.

A recorrência dos alagamentos desestimulava os moradores. Thomazi lembra que ele e os vizinhos evitavam investir nas casas, optavam por móveis em metal, construídos em concreto, temendo o risco de perdê-los nas enchentes. “A obra passou muito bem no teste da chuva forte. Daqui pra frente é pensar no futuro. Tenho planos de trocar os pisos e reformar a casa”, disse o empresário.

Fala Curitiba

A obra que permitiu mitigar os efeitos das cheias fortes na região havia anos era reivindicada pela população. A demanda foi apresentada durante o Fala Curitiba, programa de audiências públicas realizado pela Prefeitura para ouvir das pessoas as principais demandas das comunidades e executada sob a coordenação do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas.

No perfilamento foi feito o alargamento da calha e o rebaixamento do fundo do rio, além da recomposição das suas margens e taludes, que também ganharam estruturas de contenção. Os taludes foram contidos com estacas do tipo hélice contínua, construídas a partir da perfuração com um trado no formato de espiral. Depois, o espaço foi preenchido com concreto e reforçado com uma espécie de armadura metálica.

O solo na área ganhou reforço. A margem do Rio Bacacheri Mirim recebeu barreiras em geoforma têxtil, que são preenchidas com argamassa de cimento e areia, para auxiliar o trabalho das estruturas de contenção.

“O objetivo deste tipo de intervenção é dar mais segurança à população que mora nas imediações de todo o curso do rio, aumentando sua capacidade de vazão quando ocorrem chuvas intensas”, explica o secretário municipal de Obras Públicas, Rodrigo Araújo Rodrigues.

Gilda Camargo é aposentada e há 65 anos é uma das moradoras da rua José Gildo Beleski. Para ela, a chuva intensa da última semana trouxe esperança em dias melhores. “A obra passou pela prova de fogo, deu resultado. Sem ela estaríamos outra vez limpando o barro e a lama de dentro de casa”, revelou a aposentada.

Galeria de contenção

Outra obra de macrodrenagem foi executada no bairro, distante pouco mais de cem metros, na Rua Domingos Pigatto também para ajudar a evitar alagamentos na região.

Uma galeria reservatório, implantada sob a via, para dar reforço a proteção contra enchentes.  Construída em concreto armado, pré-moldada, com 3,50 metros e largura e 3,50 metros de altura, a estrutura de drenagem faz o armazenamento temporário da água da chuva, controlando a velocidade da sua vazão até que o temporal diminua.

A estrutura tem volume de detenção de águas pluviais de 2 mil metros cúbicos, quase o volume de uma piscina olímpica, e serve para reter a água até a chuva cessar e depois esvaziar o reservatório lentamente através de pequenos orifícios reguladores.

Augusto Meyer Neto, diretor do Departamento de Pontes e Drenagem da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), explica que as obras estão entre as diferentes estratégias implementadas pela Prefeitura para diminuir a incidência de alagamentos em áreas urbanas.

“Evidentemente as grandes cidades, que contam com bastante área impermeabilizada, sempre poderão registrar situações pontuais, especialmente quando o volume de chuva for intenso e em curto período de tempo. Porém, contar com um programa robusto como é o Curitiba Contra as Cheias, nos permite sucesso no escoamento das águas pluviais, reduzindo os impactos em pontos de alagamentos históricos”, diz Augusto.

Populaçao consciente

Outra importante forma de prevenir os alagamentos depende do comportamento da população, destinando corretamente o lixo e materiais que podem ser reciclados. Quando o lixo, resto de materiais de construção, móveis e outros entulhos são jogados nos rios, ou descartados em calçadas e locais inadequados, acabam indo para as galerias de captação das águas das chuvas, nos rios, gerando obstruções e potencializando as situações de alagamentos.

Descarte irregular de materiais pode ser denunciado pelo 156.

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