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Saúde

Quando o Poker online pode se tornar um problema de saúde

O Poker é um jogo de cartas popular desde a década de 70 do século passado É considerado um “jogo ativo”, cujo resultado pode ser influenciado pelas habilidades. Diferentemente de outros jogos, onde há envolvimento financeiro, mas são dependentes do acaso, como por exemplo, os caça-níqueis.

Para um jogador viver do Poker, é necessário um investimento pessoal significativo. Os jogadores profissionais são aqueles cuja principal fonte de renda é o Poker online e várias são as habilidades necessárias que esses jogadores devem desenvolver, são elas: Habilidades técnicas, habilidades psicológicas e emocionais e habilidades financeiras.

O jogo de forma online permite que o jogador tenha um maior número de mãos, além da maior privacidade. No entanto, esse novo ambiente priva o jogador de informações face a face. Atrás da tela, a comunicação com outros jogadores se limita à comunicação verbal, reduzindo o controle emocional no resultado do jogo. Além disso, jogar em casa altera também o convívio familiar e a rotina pessoal do jogador, que muitas vezes joga horas excessivas.

Quando o jogo de Poker começa a sair do controle muitas vezes pode ser considerado um “jogo patológico”. Entre os jogadores de Poker, há uma grande variabilidade na maneira como o jogo problemático pode se desenvolver. Por exemplo, jogadores problemáticos são jogadores perdedores ou vencedores, irracionais ou racionais em sua percepção de jogo, e seus estilos de jogo podem ser descontrolados ou controlados. Parece que o Poker online desafia os conceitos teóricos existentes sobre comportamentos problemáticos no jogo, especialmente em relação ao dinheiro gasto e perdido, racionalidade e habilidades de controle. Esses fatores nem sempre estão ligados a ganhar ou perder, mesmo que a perda seja um fator que em muitas vezes influencie, mas a euforia em ganhar também pode gerar problemas.

Nos fóruns online é muito comum os jogadores utilizarem o termo “tilt”. Esse termo aparece quando os jogadores não conseguem mais controlar suas decisões de forma racional e experimentam um sentimento de frustação. Esses episódios podem estar associados a fatores externos ao jogo, como cansaço, ou relacionados ao jogo, como por exemplo, uma perda estatisticamente improvável. O “tilt” leva o jogador a perder o controle sobre o jogo, devido a dificuldade de controlar as emoções e com isso ter as decisões cognitivas afetadas, ou seja, dificuldade em tomar decisões corretas.  Alguns jogadores entram naquela perspectiva de que devem continuar a jogar a fim de recuperar o dinheiro ou de que a sorte vai virar. Nesse sentido, o “tilt” pode ser considerado uma forma transitória de jogo patológico e uma porta de entrada para o desenvolvimento de um problema mais duradouro.

Quando o Poker se torna um problema duradouro, o jogador pode apresentar psicopatologias, como por exemplo, transtorno de ansiedade, impulsividade e até depressão. Estudos mostram que Jogadores recreativos em comparação com jogadores problemáticos apostam quantias diárias menores de dinheiro e têm menos transtornos de ansiedade. Além disso, parece que jogadores virtuais têm 3 a 4 vezes mais risco de serem jogadores compulsivos do que aqueles que jogam em torno de uma mesa.

Ainda não está bem claro se jogadores mais experientes ou os mais jovens estão em maior risco de se tornarem jogadores patológicos, alguns estudiosos do assunto afirmam que ser um bom jogador significa ter maior autocontrole e enfrentamento adaptativo e regulação emocional, o que pode ser um fator de proteção contra o jogo problemático. Porém o que se pode afirmar é a necessidade de uma vigilância constante nesses jogadores, para que nos primeiros sinais haja a intervenção necessária para que o problema não se agrave.

Renato Lisboa é neuropsicanalista, autor best seller (3 segundos: Escolhas que transformam a vida) e mentor de jogadores profissionais de Poker.

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