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Assassino de Douglas Junckes vai a julgamento dia 22 de novembro

Familiares e amigos do engenheiro blumenauense Douglas Junckes, assassinado a tiros, em 2018, por um vizinho, dentro do próprio apartamento, em Curitiba, estão expondo quatro outdoors na região central de Curitiba, desde o dia 10 de novembro. As peças trazem fotos da vítima, um resumo do caso e pedem que seja feita justiça. O julgamento do acusado de matar Douglas, Antônio Humia Dorrio, que esteve apenas 18 dias em prisão preventiva e há quase quatros anos segue em liberdade, foi marcado para 22 de novembro e contará com veredito do júri popular.

 Os outdoors, pagos por amigos e conhecidos do blumenauense, ficam por duas semanas nas ruas Fagundes Varela 770, Alferes Ângelo Sampaio 543, Av. Cel. Francisco H. dos Santos 2156 e Av. Paraná 3600. “O objetivo é sensibilizar a comunidade e relembrar o caso para a população que sempre mostrou indignação pelo caso e nunca entendeu porque o acusado não foi preso nem está pagando pelo crime”, afirma Hercilio Junckes, pai da vítima.

 Junckes foi assassinado com quatro tiros à queima roupa no dia 20 de maio de 2018, quando Dorrio foi armado até o apartamento da vítima para, supostamente, reclamar de barulho. Testemunhas no caso relataram, no entanto, que não ouviram nenhum barulho acima do normal antes do crime. E que estavam assistindo a um filme em volume normal, sem nenhum incômodo de outro apartamento. Também não há registro de reclamação formal no condomínio contra Douglas, diferente do assassino, que tem registros de reclamações no condomínio pela postura violenta. Segundo relatos, a conduta truculenta de Dorrio foi inclusive o motivo que levou o síndico anterior ao que ocupava o cargo na época do crime a deixar a função no prédio.

O caso corre no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná onde, em julho de 2019, o juiz Daniel Surdi Avelar, titular da 2ª Vara Sumariante do Tribunal do Júri de Curitiba, determinou que fosse a júri popular, como homicídio doloso (quando há a intenção de matar). A defesa do réu por diversas vezes recorreu da decisão, sob o argumento de que ele agiu em legítima defesa, mesmo diante das provas colhidas pela perícia, que indicam a intenção de matar, e da ausência total de indícios de defesa por parte de Douglas.

Na ocasião, a promotora Roberta Franco Massa do Ministério Público do Paraná (MP-PR) disse que as condutas hediondas praticadas por Dorrio “abalam a ordem pública, causando clamor social, demandando resposta rápida e enérgica do Poder Judiciário, sob pena de perda de sua credibilidade perante a sociedade e, por consectário, deixando fragilizada a prevenção geral da norma penal”.

“Nós não conseguimos entender como a justiça, diante de tantas provas e testemunhos de que o assassino desceu ao apartamento do meu irmão armado com a intenção de usar a arma é considerado legitima defesa. Não houve nenhum relato de barulho, do vizinho do lado nem da frente do mesmo andar”, diz Eduardo Junckes, irmão da vítima. “Meu irmão era uma pessoa muito agradável que tinha ótimo relacionamento com vizinhos e colegas de trabalho. Viemos de uma família de valores virtuosos e Douglas sempre foi prestativo e querido por todos”.

Eduardo pondera que não há justificativa minimamente razoável para o crime que vitimou seu irmão e abalou toda a família. “Mesmo que tivesse havido um som que causou algum incômodo apenas ao assassino em um domingo à tarde, porque não ligou para o síndico ou fez uma reclamação à polícia? O que aconteceu foi um crime horrível e a sociedade não pode aceitar que isso seja algo normal”, diz o irmão da vítima.

Quando foi morto, o engenheiro Douglas Regis Junckes, estava prestes a completar 36 anos. Tinha uma carreira bem-sucedida para pouca idade e a perspectiva de um futuro promissor pela frente. Trabalhava em um cargo estratégico na empresa Nokia havia 13 anos, ocupando funções no Brasil e no exterior. Preparava-se para uma viagem de férias na Europa, na companhia de amigos. Foi morto pelo vizinho poucas horas antes de pegar o vôo.

“Tomara que os jurados vejam o absurdo, a futilidade do motivo. Não entendo como ele está sendo julgado por homicídio simples. Infelizmente, alguns operadores do direito se afastam demais da realidade e perdem a sensibilidade, não vêem mais pessoas e vítimas, apenas papéis, prazos e metas. Pensam demais em teorias, esquecendo da importância do resultado para a família, amigos, para a sociedade como um todo. Não podemos nos conformar diante de tamanho absurdo, precisamos ter confiança na possibilidade de justiça”, diz Kalinka Maronez Moura, amiga da vítima e da família. “A pena não traz o amigo, o filho, o tio, de volta, e possivelmente nem seria suficiente para corrigir o assassino. Mas daria à sociedade em geral um mínimo conforto de que outras famílias não passariam por isso, porque se não pela consciência, pelo medo da lei, esse tipo de criminoso não viria à tona tão facilmente”.

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