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ColunistasPsicóloga Isabela Corrêa

“Ofereça aos outros seu autorrespeito”

Esta frase estava lá, dia após dia, mês após mês, ano após ano, escrita à mão num quadro branco, no centro de yoga que eu frequentava. Sempre me trazia reflexões, e ainda hoje segue.

Na minha trajetória de vida ela me vem frequentemente à mente, quando atendo meus clientes, quando me deparo com questões pessoais, quando enxergo o quanto faz falta este autorrespeito nas relações que se mostram insatisfatórias, carregadas de frustrações, mágoas, ressentimentos, raiva. E reflito sobre o quanto é importante tomarmos responsabilidade pelos nossos sentimentos, reconhecê-los, acolhê-los, compreendê-los, honrá-los e saber comunicá-los de forma adequada para que possamos construir relações saudáveis.

Todos os dias temos oportunidades de oferecer nosso autorrespeito aos outros, tanto nas pequenas coisas, quanto nas grandes coisas. Isso é absolutamente pessoal, de acordo com o momento e a trajetória que percorremos em cada relação.

Um exemplo de algo que comumente acontece: quando alguém desmarca um compromisso com você em cima da hora. Quando isso ocorre uma vez é uma coisa, quando isso se repete frequentemente é outra. Se me chateio e deixo passar de novo e de novo, sem nada falar, sem comunicar que isso não está bem para mim, o que estou comunicando ao outro e a mim mesma(o)?

Estou assim consentindo em ser tratada e seguir sendo tratada desta forma. Estou dizendo pra mim mesma(o) que o outro é mais importante que eu, que meu tempo não é importante e que o que sinto deve ser ignorado. Mas lentamente minha alma se distancia destas relações, o elo se enfraquece. O outro muitas vezes nem toma conhecimento que está gerando tamanho desconforto, não se dá conta da proporção. Mas se eu comunico que não está bem, algo diferente pode ocorrer, tanto na minha relação comigo mesma(o), quanto na relação com o outro: ao outro é colocada minha necessidade de mais ordem, comunicação, respeito pelo meu tempo, consideração, organização, ou o que for importante naquele momento. A mim mesma(o) estou comunicando que assumo minhas necessidades e vou em busca de encontrar soluções, relações de respeito, etc.

Através das experiências de vida e seus aprendizados vamos descobrindo que assumir a verdade do nosso sentimento nas nossas relações é uma via de autoconhecimento e transformação pessoal. O que muitas vezes significa nadar contra a correnteza dessa cultura emocionalmente ignorante que vivemos, que rotula nossas emoções aflitivas como inadequadas: “é errado ter raiva”, “é egoísta pensar em si”, “você deve perdoar sempre”. Precisamos nos dar conta que cada emoção aflitiva está respondendo a alguma necessidade não atendida, seja ela de respeito, de consideração, de reconhecimento ou qualquer outra que nos importe.

Cada emoção é legítima a seu próprio modo. Cada emoção nos comunica algo, algo de nós, algo das nossas feridas, das nossas necessidades, dos nossos desejos, dos nossos sonhos. Nossas emoções não são irrelevantes, elas são expressões legítimas e guias confiáveis para que possamos nos conhecer e desenvolver.

Um outro aspecto do autorrespeito é que ele é o fundamento do respeito aos outros. Assim, relações mais maduras e harmônicas podem ser geradas. E quando estamos bem com a gente mesmo, não vemos os outros como ameaça, não há necessidade de competição, de estar por cima, de colocar o outro abaixo. Superamos algumas necessidades infantis ao gerar uma autoestima sólida e a equanimidade decorrente dela. Pois se eu tenho valor e me respeito, reconheço o valor intrínseco de cada um e posso passar a respeitar mais o outro.

Oferecer aos outros nosso autorrespeito é saber se colocar nas relações a partir de um sentimento legítimo e não inflado de valor pessoal. Quando escutamos e atendemos aos nossos interesses e necessidades, vamos construindo uma autoestima saudável, que nos permite caminhar nesta terra sem luta consigo e nem com os demais. É a pessoa que está unida a si mesma que desfruta de um estado de uma alegria sem motivos externos, pois construiu dentro de si um lar de aconchego, apoio, autoconfiança e amor.

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